Pequena biografia de um artista plástico acriano

Olhar atento, fala mansa, andar firme, destreza nas mãos, uma ideia e a natureza a seu favor fornecendo os insumos para dar início a sua obra.

Nascido e criado no interior Acre, na colônia Custódio Freire, no ano de 1958, em contato direto com a natureza, teve uma infância normal de uma de uma criança curiosa que tudo quer tocar e conhecer. Curioso e com um vetor artístico, ensaiou seus primeiros desenhos na infância, usando o carvão e barro.

Aos sete anos de idade, deixou seu lugar de nascimento para morar na Rua Quintino Bocaiúva, posteriormente no bairro Estação Experimental. Estudou o primário na escola Neutel Maia. Mesmo em sua infância ainda não produzindo arte propriamente dita, procurava conhecer os elementos da natureza através da observação.

Somente na adolescência veio a ter contato com papeis e canetas. E através da influência dos gibis, mesmo antes de saber ler, e do cinema, despertou o interesse pelos desenhos. Aos 18 anos de idade conheceu alguns artistas como Genésio Fernandes, Dalmir Ferreira, e outros que trabalhavam com publicidade, atividade que o estimulou a  pensar as artes.

Eram poucos os que produziam arte na sua juventude. Telas, quadros, desenhos quase não havia. Não existiam materiais adequados para a produção dos minguados artistas que se aventuravam em produzir algo. No entanto, alternativas como pasta de dente e mercúrio eram usadas para desenhar quadros.

Depois que foi liberado do Exército brasileiro, por excesso de contingente, ele foi convidado por um amigo para morar em Brasília. Lá estudava e trabalhava como cartazista, depois como bancário. Na escola teve contatos com grupos de teatro, o que atiçou ainda mais o seu talento artístico.

Depois dessa fase, voltou para seu Estado de origem, onde foi convidado a trabalhar na Universidade. Também colaborou com jornal O Varadouro e começou a fazer suas telas. Mais tarde seu trabalho foi exposto no Nordeste e depois ele foi para o Rio de Janeiro.

E foi convidado a morar na Itália. Lá iniciou seus experimentos na área da abstração, mistura das cores. Chegou a ser morador de rua e sobrevivia através da arte, fazendo desenhos de nanquim. Cursou Artes Visuais na Academia de Roma, mas não concluiu.

Aprimorou na Itália sua arte – manifestada em telas, ilustrações, gravuras e esculturas – onde permaneceu por 13 anos. No período, fez estágio com artistas europeus e estudou arte intensamente, além de participar de cursos em restauração de objetos etnográficos. Expôs em Roma, Ancona, Milão, Valletri, Reggio di Calabria e San Giovanni Rotondo.

De volta à terra natal, estabeleceu-se, fazendo exposições individuais e participando de coletivas. Ele produz quadros, gravuras, ilustrações e esculturas. Usa elementos naturais da floresta amazônica em sua arte, como folhas, sementes, fósseis, cipós e argila, além de material reciclado, como sucata.

Seja na produção de uma ilustração, de um painel ou de um quadro, seu modo de ser é tranquilo. Mas o fazer artístico não se opera apenas na formalização do ato, não começa com o primeiro traço ou pincelada. Está na ideia, que é revolvida e amadurecida na memória. O artista vê além do que se apresenta aos olhos. E o instinto promove a invenção. Na obra de arte fica expressa uma tradução particular da sensação interior.

Estamos falando do badalado artista acriano DANILO DE S’ACRE.

 Alyne Brandão e Edinauro Braga