Das quadrilhas ao cosplay, um artista multifacetado

Professor, artista e cosplay são algumas das artimanhas realizadas por Alex Pimentel ao longo dos seus 31 anos. Ele e trabalha ensinando e ao mesmo tempo aprendendo a se expressar pelas possíveis formas de arte.

O despertar pela arte ocorreu na infância, através das tradicionais festas juninas que têm uma combinação de teatro, música e dança. “A arte sempre esteve presente na minha vida, mas meio que indiretamente. Eu gostava muito de quadrilhas na infância, na escola sempre tinha arraial e eu estava sempre participando”, revela.

No ensino médio, o contato com a arte de forma mais profissional se deu por meio de uma oficina de teatro ministrada por Clarisse Batista, artista e também professora de arte, durante um mês.

Através da oficina, construiu seu primeiro roteiro de forma espontânea e criativa. “Eu era Osama Bin Laden e tinha todo um clima assim… W. Bush”, conta, ao relembrar da história que traria o conflito americano para uma cena de quadrilha.

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Foto: Primeira encenação, arquivo pessoal

O primeiro passo num palco se deu no consagrado Cine Teatro Recreio, aos 14 anos. A partir dali, a curiosidade passou pela busca por livros e atividades de expressão artística.  Apesar de ter crescido em uma época que, segundo ele, não era cultura ir ao cinema ou teatro, as referências além das festivas quadrilhas se deram mais tardiamente. No seu caso, o fator econômico refletia diretamente no acesso a bens culturais.

Na fase pós-adolescência e “pré-vida adulta”, cursar artes cênicas foi uma decisão tensa e que aconteceu efetivamente após algumas tentativas. “Tentei vestibular para análise de sistemas, não passei, aí tentei História, Geografia e também não passei. Poderia fazer Educação Física também, eu gostava de atletismo, mas aí tinha o curso de Artes Cênicas…”, relembra.

O apoio dos pais foi fundamental na escolha do curso. As dúvidas e incertezas deram lugar à alegria que, segundo ele, foi sua grande realização pessoal.  Afinal, o mercado em que tanto sonhava trabalhar não era o mais rentável. Porém, antes de ingressar na universidade, ele já trabalhava em um escritório como auxiliar de Recursos Humanos e dali era tirada sua renda.

Atualmente Alex Pimentel é professor concursado e leciona numa escola de ensino fundamental da rede pública de Rio Branco. Filho da secretária Tereza dos Santos e do caminhoneiro Francisco Miranda, irmão do Alan dos Santos e marido da Ellen Almeida, ele foi o primeiro membro da família atingir o nível superior.

Histórias de cinema

Sua ligação com o cinema se deu pela atuação na fotografia. “Eu frequentava a Igreja Batista e fazia parte da equipe de comunicação. Tirava foto, armazenava o áudio das pregações e mexia com programas de reprodução. Então, eu vi que se eu fizesse algumas coisas em ângulos e formatos diferentes poderia transformar em vídeo”, conta.

Alex queria algo mais. Foi assim que começou sua aventura por outro tipo de arte, o cinema. Quebrar os clichês de apresentações teatrais realizadas em datas comemorativas foi o estopim para o produtor audiovisual. “Eu quis fazer algo mais elaborado, nada pequeno, tinha que ser um espetáculo”, afirma.

O gosto pelas imagens em movimento foi se aprimorando e ele decidiu compartilhar a experiência dentro das escolas, com seus alunos. “Fiz uma pesquisa e decidi trabalhar com cinema. Eu achava mais interessante que o teatro. Então, fiz um levantamento dos materiais que precisaríamos”.

A boa vontade e gosto pela sétima arte esbarrariam na falta de recursos. A primeira ferramenta que usou foi o celular, pela facilidade e por ser também acessível para a grande maioria dos alunos. Como os materiais para realizar os vídeos eram inacessíveis, a criatividade teve que entrar em ação.

Produzir de forma artesanal um vídeo foi a solução encontrada.  O primeiro material feito à mão foi o tripé. “Através de pesquisas na internet, fazendo um levantamento, apareceu um tripé artesanal e eu disse: por que não fazer também?”, lembra. Cabos de vassoura e materiais do dia a dia foram os objetos necessários. Depois vieram o microfone de lapela feito com os fones de ouvidos comuns e espuma, a claquete, entre outros.

Criar esse ambiente cinematográfico era uma forma de passar o conteúdo teórico e ao mesmo tempo prático, criando assim um aprendizado compartilhado. Afinal, grande parte daqueles materiais originais não tinham sido nem mesmo tocados antes por Alex Pimentel.

O segundo passo foi treinar o olhar voltado para a produção, começando pela fotografia. “A foto hoje está muito banalizada, qualquer coisa é foto, não há reflexão”, aponta Pimentel. A experiência do produtor se deu pela prática e também através de tutoriais no Youtube.

No cinema, a maior experiência foi através da série Mauani – O Silêncio de Maria, de Silvio Margarido.  “Fui ator ou câmera? Não, fui ser maquiador”, ele me pergunta e ao mesmo tempo responde.

Quando foi colaborar na produção, não tinha mais vagas para as áreas em que ele costumeiramente atuava (diretor, ator, roteirista). Só havia vaga para a área de maquiagem. Parecia ser algo simples, o maquiador responsável pela produção fazia a maquiagem e Pimentel repetia. “O susto veio quando ele me perguntou se eu sabia fazer pranchinha. Eu, sem jeito, não soube o que dizer…”, o máximo que conhecia era um batom e um pó compacto, conta.

Apesar dos contratempos, ele se dedicou bastante e sempre estava atento a tudo que acontecia nas gravações. Descobriu novos saberes e reformulou opiniões. As afinidades com o teatro não eram tão parecidas com o cinema, como pensava, por exemplo.  “Descobri que é um ambiente totalmente diferente do teatro. Eu achava que era algo parecido, mas não é. Tudo tem horário e responsabilidade, é uma hierarquia e você tem que seguir”.

A prova de fogo aconteceu quando ele teve que assumir o lugar do maquiador titular da série. “Faltando um mês para acabarem as gravações, o Alexandre (maquiador responsável) adoeceu. Quando eu estava indo pra base de filmagens, os bombeiros já estavam levando ele. Ele teve um problema cardíaco e aí eu fiquei com a reponsabilidade”.  Apesar do susto, Alex Pimentel garante que participar da série foi uma grande experiência, uma espécie de batizado. O resultado foi tão positivo que ele ganhou elogios de grandes profissionais envolvidos na produção.

As tantas atividades desempenhadas por Pimentel ainda reservam tempo para praticar cosplay, aquele hobby japonês de se caracterizar de personagens. Campeão em 2012 no Festival Anime AC, a característica que o consagrou não poderia ser outra: a originalidade com doses de ineditismo. “Fui com o personagem do jogo Assassins            Creed. Ele ia ser lançado nas vésperas do Anime, eu tinhas poucas referências, mas tive a ajuda do meu pai na confecção do arco e fecha. Não tinha ninguém igual a mim e eu acabei ganhando”, comenta.

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Foto: Cosplay Connor Kenway, Assassin’s Creed III, arquivo pessoal

Essas são algumas das multi facetas do alegre e talentoso artista Alex Pimentel, que descobriu no cinema a grande paixão pelo fazer e ensinar.

Andressa Mendes

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