Pagando por histórias

Quanto realmente o cidadão deve pagar pelo transporte público? R$ 1? R$ 2? R$ 3? Mais?

Isso é pouco pela grande distância que percorremos de um lugar para o outro? Pouco para boa frota de ônibus que circula? Pouco pelo calor que passamos? Ainda mais quando estamos todos “juntinhos” ali, involuntariamente, naquele calorzinho que nos faz suar e sentir o perfume de cada um, que em cada metro quadrado é ocupado por no mínimo cinco pessoas?

Agora, o que vale o preço da passagem é o que acontece dentro dos ônibus. Não sei se isso ocorre em todos os lugares do país, mas no Acre já presenciei várias vezes. São as histórias contadas sem nenhum tipo de pergunta ou inicialização de conversa entre o contador e o ouvinte. Simplesmente acontecem.

Começa do nada, falando de assuntos diversos: familiares, calor, lotação dos ônibus, falta de respeito com os idosos (ah, na grande maioria das vezes são os idosos que mais tem algo para contar). Mas, os mais comuns são familiares. E quase não existe diálogo entre contador e ouvinte, é sempre seguido de: “nossa”, “ahan”, “uhun” e outras poucas palavras. Depois de algum tempo, dependendo do relato, você começa a se solidarizar ou ficar assustado.

Por isso, depois que comecei a perceber a dinâmica de andar de ônibus, nem coloco mais os fones de ouvido. Fico ansioso esperando alguma boa história de quem tem muito para contar, pois tenho muito para ouvir!

Se levarmos em consideração os ganhos pelas histórias do cidadão acreano, R$ 3,50 é pouco! Sim, muito pouco!

Bruno Pacífico 

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