Eu vi a cobra-preta na Gameleira

Andressa Pires e Ana Lima
As lendas sempre fizeram parte da nossa cultura e têm o objetivo de explicar os acontecimentos misteriosos que nos rodeiam. São transmitidas através da linguagem oral e por isso sofrem alterações ao longo dos anos, mas nunca são esquecidas. A cobra-preta da Gameleira é um exemplo que sempre é trazida à tona na capital do Acre.
De acordo com relatos, trata-se de uma cobra-preta, ou, como conhecida, uma Sucuri. Com hábitos noturnos e habitat em remansos – lugares nos rios com maior profundidade – tem a espessura aproximada de um tambor de 200 litros. É um animal carnívoro e não venenoso, que mata suas presas enrolando-as em seu corpo e arrastando-as para o fundo do rio. E, por fim, engolindo-as por inteiro.
A técnica em enfermagem e moradora das proximidades da Gameleira, Orieta Paiva, conta que a lenda da cobra-preta surgiu na tentativa de explicar os desaparecimentos de pessoas no Rio Acre, que aconteciam com frequência. Decorrentes de afogamentos ou assassinatos, não necessariamente vítimas da cobra, muitos moradores viam na lenda uma forma mais fácil de explicar os sumiços.
Foto Andressa Pires 3
(Foto: Andressa Pires)
O pescador Bento Antônio Pinheiro narra que na alagação de 1998 viu a volta da cobra-preta, mas não a cabeça e o rabo, impossibilitando-o saber seu tamanho. Três dias depois, ela tentou atacar um pescador que morava à beira do Rio Acre, próximo à Gameleira, mas não conseguiu, pois o pescador rapidamente nadou até o barranco, de onde estava próximo.
As histórias com os amigos são muitas. Bento Antônio conta que Getúlio estava voltando de um jogo, sentou-se em uma canoa para tirar suas meias, quando de repente a cobra-preta enlaçou-se nele e o arrastou para o fundo. Nadir de Barcelos Targa, também pescador, conta sobre Dinho, que sempre voltava tarde para casa, quando não havia mais catraieiros para atravessar o rio e acabava passando a pé pela parte rasa. Uma noite, foi abraçado pela cobra.
Foto Andressa Pires 2

(Fotos: Andressa Pires)

Até hoje, ultrapassando o tempo e o espaço, a lenda se perpetua. Muitos crêem que a cobra ainda vive nas profundezas do Rio Acre ou mesmo em outros rios da região. Há aqueles que acreditam que a ação do homem na natureza tenha colaborado para que ela tenha descido o rio e hoje não viva mais no remanso da Gameleira. Deste modo, os desaparecimentos causados pela cobra-grande, por aqui, não são mais tão recorrentes.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s