Ainda existe a cultura Hippie?

IMG_3362.JPG(Foto: Sabrina Nascimento)
SABRINA NASCIMENTO E THAWANA ALEXANDRINO

Viver de forma alternativa em uma sociedade materialista é questão de identidade e escolha. Nos dias atuais, as pessoas que adotam estilos com características do movimento hippie pelas ruas da capital acreana não se intitulam adeptas dessa cultura.

“Eu não sou hippie, esse movimento aconteceu na década 70 e não existe mais. Me considero um artista alternativo, vivo da minha arte e escolhi viver assim, pois não gosto de seguir ordens de outras pessoas”, enfatiza Shindu, natural do Peru. Ele conta que tem a liberdade de horários e de definir estar no Acre, no Peru, na Venezuela ou “em qualquer lugar, experimentando as formas loucas de viver”.

Em diferentes países, o reconhecimento das pessoas que vivem fora de padrões capitalistas é variável. Johan se intitula artista e diz já ter sofrido discriminação. Segundo ele, no Chile, por exemplo, valorizam o que fazem e são considerados artistas. Mas nem sempre é assim. “No Brasil, pela maioria somos tratados como pessoas preguiçosas, marginais sem talentos. Sofremos discriminação pela roupa, pelo estilo de cabelo, por vender nossa arte nas ruas. Muitos de nós tem graduação, mas escolhemos viver dessa maneira: livres”, enfatiza.

Relembrando a cultura hippie

Nos anos 60 surgiu, nos Estados Unidos da América–EUA, o movimento hippie, com lema paz e amor. Era formado por pessoas que escolheram adotar um estilo de vida em comunhão com a natureza e que estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média americana. Defendiam questões ambientais, o uso de drogas para expandir a consciência, a vida em comunidades e a emancipação sexual. Usavam roupas frouxas, rasgadas e com cores marcantes, contrapondo aos padrões estabelecidos.

No Brasil, a cultura hippie não ocasionou um grande impacto como nos EUA, devido ao contexto político de ditadura militar, em que a repressão e censura intimidavam quem ousasse ser diferente. Porém, houve o Tropicalismo, movimento cultural que revolucionou a música popular brasileira, com um visual psicodélico e canções questionadoras. Os jovens protagonistas desses movimentos deixavam a comodidade de suas casas em busca de novos padrões de vida, embalados por sons, alucinógenos e total liberdade.

Na década de 60 e 70, ser hippie era lutar por mudanças, não se acomodar e ter como ideias as lutas em favor das minorias. Procuravam viver em harmonia, exigindo os direitos civis e contribuindo para uma sociedade melhor. Hoje, os hippies se acomodaram e se tornaram alternativos.

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